Realizou-se no dia 15 do maio, no final da tarde, em Brasília, mais uma reunião da mesa de negociação reestruturação de carreira. O Secretário das Relações de Trabalho do MPOG, Sérgio Mendonça, iniciou a reunião parabenizando os professores pelas pressões efetuadas, que sensibilizaram o governo federal para retirar o PL e publicar o termo de acordo em MP.
Segundo ele, esta não tem sido uma decisão usual do governo e que, por isso, compreendia que é um momento de valorização muito significativo que auxilia para o avanço do diálogo nesta mesa de negociação: "É um passo relevante do governo, que foi impulsionado por três pressões - dos professores e dos ministros da Educação e do Planejamento".
O professor Eduardo Rolim, Presidente do Proifes-Federação, argumentou que a MP foi importante, inclusive porque corrigiu a tabela, de acordo com o acordado, ou seja, os 4%, pois ela estava errada no PL. Entretanto, ressaltou que a entidade considera como muito negativo o fato do governo não ter aproveitado a MP para retirar do PL a nova forma de calcular os adicionais de insalubridade e periculosidade, tendo salientado que o Proifes-Federação vai brigar no Congresso Nacional para derrubar esse ponto.
A professora Rosana Borges, Presidente da Adufg-Sindicato, complementou que o acordo assinado no ano passado não trata desta pauta, que sequer entrou em discussão nas mesas de negociação: "A MP avança na concessão dos 4% retroativos a março, mas não avança quando mantém uma nova regra que sequer foi debatida com as entidades e que, na prática, prejudica financeiramente os professores. Há um descontentamento enorme nas universidades sobre este ponto da MP".
Após um rápido debate sobre este tema, o Secretário Sérgio Mendonça informou que, conforme o combinado, o governo iria apresentar nessa reunião alguns pontos que sintetizam as negociações, embora não tenha havido tempo hábil para escrever uma minuta. Os pontos apresentados foram os seguintes:
- Duas carreiras, de Magistério Superior e EBTT, mantendo-se o paralelismo entre classes e níveis, teto e piso;
- Governo havia apresentado uma proposta de alongamento da carreira, criando a classe sênior. Esta proposta de criação de uma nova classe está, neste momento, oficialmente descartada pelo governo;
- No Magistério Superior, ficam quatro classes (auxiliar, assistente, adjunto e associado);
- No EBTT, ficam quatro classes (d1, d2, d3 e d4);
- Manutenção das jornadas de 20, 40 e DE, com regulamentação da DE para as duas carreiras;
- Ingresso no início da classe auxiliar ou d1, ou seja, no início da tabela;
- Desenvolvimento na carreira - manutenção das regras de progressão e promoção;
- O governo acha importante a divisão das classes em níveis;
- A progressão de um nível para outro se dará por meio de avaliação de desempenho;
- Promoção de uma classe para outra se dará após o último nível da classe anterior, mais avaliação de desempenho;
- Interstício: 18 meses para ambas carreiras;
- Chegada à última classe - último nível da classe anterior, ter participado de programas de pós-graduação e pesquisa nos últimos 2 anos, processo de avaliação de desempenho e doutoramento para o MS / para o EBTT, avaliação de desempenho, título de doutor ou equivalência do conhecimento técnico/tecnológico adquirido;
- Professor titular em cargo isolado com acesso por meio de concurso;
- Composição remuneratória - VB + RT;
- Regras do estágio probatório: MS - Lei 8.112, mais avaliação especial de desempenho do docente / EBTT - paralelo de critérios com MS;
- MS - corpo docente - carreira do MSF, professor visitante, professor visitante estrangeiro e substitutos / EBTT - mesmo critério;
- Retribuição por projetos institucionais (de ensino, pesquisa e extensão) para ambas carreiras;
- Comissão permanente de pessoal docente seria institucionalizada em termos de lei;
Justificando estes pontos, o representante da SESU/MEC disse que o que se buscou foi construir duas carreiras muito semelhantes, mas divergentes nas suas especificidades. A retirada de uma nova classe (professor sênior), a diminuição do interstício para o MS, conforme já ocorre no EBTT, representam alguns avanços frutos de um recuo do próprio MEC.
Intervindo, o professor Eduardo Rolim afirmou que a proposta avança, mas que ainda deixa pontos a desejar. Relembrou que, em virtude das novas regras previdenciárias, interessa mais aos professores ficar mais tempo no topo da carreira e que, uma carreira de 22 anos e meio, ainda prejudica, especialmente as professoras do EBTT, que podem aposentar-se com 25 anos de carreira. Na opinião do dirigente, tem que se rever o tamanho da carreira e também a duração do interstício. Relembrou, também, que é uma pauta do Proifes- Federação o reenquadramento de professores aposentados, retidos na classe de adjunto, sendo que a entidade tem uma expectativa em relação a isso nesta mesa de negociação. Eduardo Rolim encerrou sua fala colocando um quarto ponto, que foi a discordância com o pensamento de que, para chegar na última classe da carreira, o professor deva ter doutorado.
Seguidamente, a Professora Rosana Borges ressaltou que a proposta avança, mas que precisa avançar mais, diante dos seguintes pontos:
- Todos os professores devem ter o direito de chegar ao topo da carreira, independente da sua titulação. A RT já estabelece uma distinção salarial no que se refere à titulação; discussão do interstício;Diminuir a quantidade de meses em cada interstício é interessante, porque assim se chega mais rápido ao topo da carreira. No entanto, isso vai prejudicar professores do MS de diversas áreas que requerem um maior tempo para maturar um artigo e publicá-lo, exigência da avaliação de desempenho docente. Proposta: manter os 6 anos, mas com 2 níveis, com progressão de 36 meses, e não em 18 meses;
- Questões de gênero já estabelecidas nas regras da aposentadoria e questões relativas à diferença do tempo de serviço para que professores do EBTT e MS se aposentem, têm que ser levadas em consideração, pois todos devem ter a mesma possibilidade de ficar mais tempo no topo da carreira. Pela regra previdenciária atual, o professor do MS aposenta-se com 35 anos de carreira e a professora com 30 anos. Já os professores do EBTT aposentam-se com 30 anos e as professoras com 25. Isso já está estabelecido, e para que, principalmente, as professoras não sejam prejudicadas com uma carreira muito longa, ou se diminui a duração da carreira, ou se estabelecem regras distintas para que todos(as) possam ficar, no mínimo, oitenta meses no topo da carreira.
O professor Brandão (Proifes/EBTT-Paraná) questionou o governo no que se refere à proposta de “equivalência do conhecimento técnico/tecnológico adquirido”, uma vez que compreende que todos os professores têm direito de percorrer todas as classes da carreira e que, nem todos os professores do EBTT atuam no ensino tecnológico. Sugeriu, também, que as nomenclaturas de ambas carreiras (EBTT e MS) sejam iguais, por forma a evitar confusões, já que terão o mesmo teto e o mesmo piso. Reforçou o argumento de que a primeira classe não tenha níveis, e a necessidade da extensão da carreira girar em torno de 16/18 anos.
A professora Sílvia (BA) questionou a proposta do governo de retribuição por projetos institucionais, porque se tal acontecer em termos de gratificação, dentro de pouco tempo os professores estarão na mesa de negociação com processos judiciais, solicitando sua incorporação, uma vez que já está definido que a composição salarial é VB/RT. Lembrou que na UFBA os professores do EBTT são professores de creche, que lidam com bebês e crianças na primeira infância e que têm uma dinâmica de trabalho completamente distinta de um "saber tecnológico" que deve ser respeitada. Ressaltou, também, que não há concordância com a progressão em 18 meses que, além do que já levantou a profa. Rosana Borges, ainda gera processos burocráticos extremamente desgastantes nas universidades. Finalizou sua fala dizendo que, se titular for topo de carreira, todos devem chegar a ele.
O professor Lúcio (ADURGS) solicitou que seja retirado da discussão de carreira a retribuição por projetos, por perceber que ela não é essencial ao debate, existindo o risco de trazer para dentro de uma carreira pública uma discussão de mercado. Solicitou, também, que se avance na discussão do tamanho da carreira, uma vez que está muito claro que, com as novas regras previdenciárias, deverá existir uma carreira mais enxuta. Disse que percebia, pela fala do governo, uma mudança de lógica de carreira. Afirmou compreender que a promoção e a progressão são instrumentos de incentivo e não barreiras de progressão, e afirmou não compreender porque o governo não avança neste ponto, porque, para os EBTTs, por exemplo, pode-se, independente da titulação, chegar ao topo da carreira. "Qual é a lógica de um professor que não tem necessidade de fazer um doutorado ser mantido numa classe sem nenhum incentivo de promoção ou progressão?" - perguntou.
Após extenso debate, cerca das 22 horas o governo começou a se posicionar sobre as críticas das entidades. O Prof. Alésio, da SECTEC, disse que o governo entende como justas as reivindicações no que se refere aos EBTT’s e está disposto a rever a proposta.
O Secretário Sérgio Mendonça afirmou que existem muitos pontos para serem revistos na bancada do governo e construir o consenso no próprio governo. Sugeriu marcar uma agenda para frente, a fim de afunilar as discussões e fechar os trabalhos no prazo de 31 de maio.
O professor Marcelino perguntou em que momento é que o governo vai falar em impacto orçamentário, enquanto a professora Rosana Borges complementou a questão, perguntando se o MPOG já analisou o impacto de equiparação com o teto e piso salarial da C&T, respeitando-se a DE, que não existe naquela carreira. Questionou, igualmente, se até 31 de maio os professores conseguirão ter uma carreira reestruturada, inclusive do ponto de vista salarial.
O Secretário Sérgio Mendonça respondeu que o governo está analisando vários impactos orçamentários, inclusive o da equiparação, e que não sabe responder se até o dia 31 de maio o governo conseguirá definir a questão salarial.
Próxima agenda do GT de negociação: dia 28 de maio, às 9h30.


Leia este blog no seu celular