Decorreu no dia 08 de dezembro, em Brasília, mais uma oficina de negociação entre Governo e entidades sindicais, onde se discutiu a restruturação nas carreiras do MS – Magistério Superior e do EBTT – Ensino Básico, Técnico e Tecnológico, com a participação de representantes do Governo, SINASEFE, ANDES, PROIFES e Secretarias de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC) e de Educação Superior (SESU) do MEC.
A Oficina iniciou-se com a apresentação da proposta do SINASEFE - entidade que acordou com o Governo, no dia 07 de dezembro, sua participação no Grupo de Trabalho.
Por parte do PROIFES, o Professor Brandão abriu a primeira mesa de discussão, abordando a defesa dos fundamentos da carreira docente, tendo reforçado que a discussão não é sobre uma nova carreira, mas sim buscar correção das injustiças ocorridas no passado. O segundo ponto reforçado pelo professor foi sobre o “fazer e a responsabilidade docente”, que não se diferencia por carreira, daí que na haja necessidade de tratar de maneira desigual as carreiras de MS e EBTT, sendo que essa constitui uma das razões pelas quais o PROIFES defende uma carreira única, considerando as características de cada uma.
Na sua fala, a Diretora do Departamento de Relações de Trabalho (MPOG), Marcela Tapajós, afirmou que o governo também não discute a carreira, tratando-a como nova, mas sim com foco na reestruturação da Carreira do Magistério Superior e aperfeiçoamento de EBBTT, tendo sublinhado que “não deixa de ser uma reestruturação também para o EBTT, só que esta carreira passou, recentemente, por este processo em 2007 e teve continuidade com o termo de acordo assinado em 2011”. Contudo, Marcela Tapajós afirmou que as carreiras devem ser tratadas distintamente, e não como única, já que a política de desenvolvimento deve ser diferenciada, tendo ressaltado, por outro lado, que isso não significará tratamento diferenciado.
O diretor da SETEC/MEC, Aléssio Trindade, referiu que existem especificidades e características distintas no ensino técnico que devem ser mantidas, com ou sem a unificação: “Temos que considerar, nesse momento, as características básicas deste ensino para fortalecer a educação profissional”.
A segunda mesa abordou a Reestruturação da Carreira: classes e padrões, interstício e ingresso. A ANDES defende 13 níveis remuneratórios para se alcançar o topo da carreira, o que daria 25 a 26 anos para se alcançar o nível 13.
Em sua exposição, Eduardo Rolim, vice-presidente do PROIFES, ressaltou três princípios defendidos por sua entidade. O primeiro, trata sobre o respeito ao passado e às conquistas obtidas. O segundo, fala sobre a titulação como um ponto importante não só para elevar o nível na carreira, mas como meio de qualificação. O terceiro versa sobre a paridade entre ativos e aposentados e a isonomia entre MS e EBBT. Eduardo Rolim também reforçou que o PROIFES é contrário à criação de uma nova classe, no caso específico “Senior”, proposto pelo governo. O vice-presidente do PROIFES ressaltou ainda a incoerência na proposta do Governo sobre progressão acelerada, tendo afirmado “Se os professores se concentrarem apenas em aulas de graduação para a progressão, os outros pontos, como extensão e a pesquisa, serão deixados de lado. Isso é muito ruim para a educação”.
A diretora do Departamento de Relações de Trabalho, Marcela Tapajós, apresentou a proposta do governo sobre como ocorreria a promoção para cada classe de professor: Assistente, Adjunto, Associado e Sênior: “O termo carreira não está ligado somente à questão remuneratória, mas também à produção acadêmica e científica. Temos que rever os requisitos entre progressão e produção”, afirmou.
Na sua fala, o Secretário Duvanier disse que a promoção na carreira significa desenvolvimento: o quanto o professor agregou de conhecimento. “A qualidade do processo na carreira se faz com a qualidade do professor”, disse Duvanier.
No período da tarde, a pauta da Oficina abordou o Desenvolvimento e Composição Remuneratória: progressão e promoção; VB; RT; capacitação; avaliação de desempenho, como ainda o Reenquadramento; Regime de Trabalho e outros temas, tendo-se iniciado com uma intervenção do Prof. Cláudio Scherer, representando o PROIFES, que falou sobre a nova classe proposta pelo governo, que a definiu como extremamente prejudicial, tanto para os aposentados quanto para os professores da ativa: “Esta classe rebaixa automaticamente todos os professores. Não se pode afirmar que a produtividade do docente irá aumentar por ter que vencer mais um tipo de progressão no final carreira. Nesta época, depois de tanta titulação e experiência, a preocupação deve ter como um dos focos o trabalho realizado dentro de sala de aula”. Em sua exposição, Scherer também abordou a autonomia da Universidade, que, segundo ele, não pode ser reduzida com a reestruturação da carreira.
Marcela Tapajós, diretora do Departamento de Relações de Trabalho do MPOG apresentou algumas propostas do governo, como progressão e promoção, avaliação de desempenho, retribuição por titulação e composição do vencimento básico, propostas estas que serão disponibilizadas em breve nos sites do PROIFES, ADUFSCar e no blog da ADUFSCAR.
A professora Dulce Tristão, da SESU-MEC, manifestou-se complacente com a questão apresentada pelas entidades sobre atrelar a progressão com a necessária titulação: “Este debate tem que ser bem discutido e elaborado, rediscutindo um novo reajuste salarial”, completou.
Seguidamente, em sua fala, a presidente da APUB, Silvia Lúcia Ferreira, disse que as Instituições Federais têm incentivado que todos os docentes invistam, sim, em sua qualificação. Mas é necessário que a remuneração salarial seja digna e não somente atrelada à titulação: “O PROIFES defende que o teto salarial, tanto do Magistério Superior, quanto do EBTT, seja equivalente ao da carreira de Ciência e Tecnologia. Somos contra a criação de uma nova classe, porque existirão professores prejudicados”.
O presidente do PROIFES, Gil Vicente, manifestou à diretora Marcela Tapajós sua apreensão com a questão remuneratória, já que o prazo para fechamento do acordo é março de 2012, tendo feito ponderações sobre a proposta do governo acerca da progressão acelerada. Sobre este tema, Gil Vicente disse que o PROIFES acha fundamental criar mecanismos que avaliem a eficiência do docente, mas que isso seja feito levando em desconsideração o conjunto dos projetos desenvolvidos pelo Professor, seja no campo da extensão, pesquisa, participação em administração e dedicação exclusiva, entre tantos outros: “As ações desenvolvidas durante os 18 meses também devem contar para a progressão, concluiu Gil Vicente”. Na conclusão da oficina, o presidente do PROIFES reafirmou que sua entidade não aceitará uma reestruturação de carreira que não corrija as distorções do passado, nem aceitará um reenquadramento que crie novas distorções.
Outra questão pétrea para o PROIFES é que sejam tratadas, de forma isonômica, as carreiras de Magistério Superior e EBTT, em relação à questão estrutural e remuneratória.
(Rui Sintra - Jornalista ADUFSCar, com informações do PROIFES)